NA ÍNTEGRA - Neste segundo episódio você irá conhecer a história do ex atleta e agora professor, Moacir Mendes:

Moacir Mendes Júnior, nasceu em 23/01/1981, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O faixa preta de judô e jiu-jitsu, fez parte da seleção brasileira de judô por 15 anos e hoje trabalha como técnico da equipe principal da Sogipa na parte de ne-waza, além de ser professor de jiu-jitsu na Alliance Mario Reis e fundou sua própria academia, chamada Moacir Mendes escola de judô e jiu-jitsu.

Em sua carreira, conquistou:

Judô

- Tetra campeão brasileiro senior (2001/2002/2004/2006)

- Tri campeão troféu Brasil (2004/2008/2009)

- Campeão pan americano sênior 2006

- Bronze mundial júnior Tunísia 2000

- Eleito melhor Ne-waza do mundo 2012 pela FIJ

- Treinador de ne waza da seleção brasileira de judô nos Jogos Olímpicos do Rio 2016

Jiu Jitsu

- Campeão mundial 2010 faixa preta CBJJE

- Campeão sul brasileiro ABSOLUTO faixa preta 2010 CBJJ

- Bronze no Asian Cup 2008 faixa preta Abu Dhabi UAE

Shihan Intersports - Como foi seu início no esporte?

Moacir - Iniciei no judô aos 4 anos de idade por causa de problemas respiratórios, eu tinha bronquite asmática, com isso meus pais me levaram em um médico que era judoca e acabou indicando o judô como tratamento, e desde então, entrei no judô e nunca mais parei, também nunca mais tive uma crise de asma.


Shihan Intersports - Qual foi sua motivação para seguir a carreira de atleta?

Moacir - Na verdade eu não tive uma inspiração, desde muito pequeno eu sempre fui muito competitivo, não gostava de perder nem no par ou ímpar, então assim que comecei a competir, eu vi que era esse esporte que eu escolheria para tentar ser o melhor e me desafiar, toda vez que tinha competição meu olho brilhava, e é assim até hoje, só que agora estou com 40 anos, não tenho mais o foco de competir mas sinto que tenho um samurai adormecido aqui dentro, que não importa a idade que eu tenha, se eu botar na cabeça que vou lutar de novo tenho certeza que consigo fazer isso muito fácil.


Shihan Intersports - Quais pessoas/atletas foram suas inspirações?

Moacir - Eu nunca tive ídolos, e não tenho até hoje, eu tinha admiração por alguns atletas, na época eu admirava muito o Aurélio Miguel por ser brasileiro e se tornar campeão olímpico e também o Koga, lembro que eu olhava as lutas do Koga em fita cassete e logo em seguida já tentava imitar os golpes que ele fazia.


Shihan Intersports - Como era sua rotina de treinos?

Moacir - Minha rotina de treinos se baseava em tatame o tempo todo, treinava judô e jiu-jitsu todos os dias, lembro de muitas vezes não saber se estava chovendo ou se tinha sol, só me dava conta do horário quando tinha que comer alguma coisa, eu passava muito tempo em cima do tatame, judô e jiu-jitsu o tempo todo.


Shihan Intersports - Quais eram seus golpes e posições mais efetivas?

Moacir - No judô eu sempre gostei de fazer morote seoi nage e koshi guruma, até mesmo por causa do koga e tinha muita facilidade em trabalhar o newaza por causa do jiu-jitsu, sempre gostei mais de chaves de braço, kansetsu waza, lembro que eu trabalhava muitas transições visando pegar o braço dos meus adversários.


Shihan Intersports - Qual evento você disputou e considera sua melhor apresentação?

Moacir - Lutei muitas competições ao longo da minha carreira, mas com certeza lembro do meu mundial júnior na Tunísia em 2000, fui medalha de bronze e lembro que foi muito emocionante, e também um troféu Brasil que fui campeão em 2009, eu tinha passado o ano todo de 2008 sem competir por causa de uma cirurgia e voltei depois de um ano nessa competição e fui campeão, muitas vezes competir dentro do Brasil era muito mais difícil do que em muitas competições internacionais, o nível dentro do brasil era e ainda é muito alto.


Shihan Intersports - O que você acredita que o atleta precisa ter para que ele trilhe um caminho de sucesso?

Moacir - Disciplina! Acho que o ponto crucial do sucesso se resume em disciplina, um atleta disciplinado vale por mil atletas talentosos, a discilplina é o ponto chave.


Shihan Intersports - O que você usava para se motivar quando não alcançava o resultado que desejava?

Moacir - Quando eu tinha maus resultados, eu sempre passava uma semana toda refletindo onde eu errei e tentava treinar só aquilo para não cometer aquele erro denovo, abaixava a cabeça e treinava ainda mais, não tem muitos caminhos, a não ser treinar mais.


Shihan Intersports - Quais foram as pessoas que sempre estiveram ao seu lado em momentos ruins da sua carreira?

Moacir - Minha família. Minha mãe especialmente, ela nunca deixou de acreditar em mim, sempre que eu estava chateado com alguma coisa ela sempre tinha alguma palavra que me dava forças para seguir.


Shihan Intersports - Uma frase que você usou como motivação.

Moacir - Não tenho uma frase de motivação, a minha motivação sempre foi conversar com Deus, sempre antes e depois de qualquer batalha na minha vida eu converso com Deus e vejo o que ele tem para me falar, sempre saio mais leve e confiante depois de uma conversa com Deus.


Shihan Intersports - Um filme que lhe inspire.

Moacir - Eu já vi mil vezes o filme “O Último Samurai”. Esse filme sempre me inspirou para tudo.


Shihan Intersports - Um livro importante na sua opinião

Moacir - Com certeza, a bíblia.


Shihan Intersports - Uma música que lhe motive

Moacir - Tem uma música que eu sempre escutava antes de lutar, se chama “GALO DE RINHA”, é uma págea. Aqui no Rio Grande do Sul se escuta muito, é música tradicionalista, essa págea sempre me motivou, Galo de rinha, de Jaime Caetano Brown.


Shihan Intersports - Deixe uma mensagem para atletas que aspiram em ser como você.

Moacir - Hoje como professor eu vejo muitas coisas de modo diferente de quando eu era atleta, vejo as coisas com mais clareza, então eu posso afirmar que o sucesso para um atleta de judô é ele ter a cabeça aberta para aprender, e treinar jiu-jitsu, a união dessas duas artes marciais te tornam completo, vai chegar um dia que quem não souber lutar no solo não vai conseguir mais lutar judô, portanto comecem desde cedo, não percam tempo, abaixem a cabeça, treinem e acreditem no processo. Não existe processo sem sofrimento, o resultado sempre vem a longo prazo para quem confia e segue trabalhando.

Heyyyyy

Por Ernane Neves, da Shihan Intersports, em São Paulo


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